sábado, 23 de julho de 2011

Rap da infelicidade?

O Rap das Armas fez sucesso principalmente por fazer parte da trilha sonora do longa-metragem brasileiro Tropa de Elite2. E até estendeu seu sucesso a outros países principalmente em solo europeu pois um remix holandês tornou-se popular nos clubes e danceterias e alcançou o primeiro lugar na Holanda e Suécia¹. A música é uma versão alternativa ao "Rap da Felicidade" ambas compartilham a mesma base e ritmo. Também composta por Cidinho e Doca a canção basicamente descreve a invasão de uma favela pelo BOPE denotando total ponto de dominação dos grupos de traficantes sobre o morro e seus moradores, além de denegrir a imagem da polícia. Por isto pode ser considerada como um "Proibidão"(Subgênero do funk que exalta a violência e o tráfico de drogas).


Rap das Armas
Interprete: Cidinho & Doca
Composição: Cidinho & Doca

Clipe da Versão original


Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clack bum
Parapapapapapapapapa

Morro do Dendê é ruim de invadir
Nois, com os alemão, vamo se diverti
Porque no Dendê eu vo dizer como é que é
Aqui não tem mole nem pra DRE
Pra subir aqui no morro até a BOPE treme
Não tem mole pro exército civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito para os amigos meus
Fé em Deus, Dj
Vamo lá


Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clack bum
Parapapapapapapapapa

Morro do Dendê é ruim de invadir
Nois, com os alemão, vamo se diverti
Porque no Dendê eu vo dizer como é que é
Aqui não tem mole nem pra DRE
Pra subir aqui no morro até a BOPE treme
Não tem mole pro exército civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito para os amigos meus
Mas morro do Dendê também é terra de Deus
Vem um de AR15 e outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola e outro com 2oitão
Um vai de URU na frente escotando o camburão
Tem mais dois na retaguarda mas tão de Glock na mão
Amigos que eu não esqueço nem deixo pra depois
Lá vem dois irmãozinho de 762
Dando tiro pro alto só pra fazer teste
De ina-ingratek, pisto-uzi ou de winchester
É que eles são bandido ruim e ninguém trabalha
De AK47 e na outra mão a metralha
Esse rap é maneiro eu digo pra vocês,
Quem é aqueles cara de M16
A vizinhaça dessa massa já diz que não agüenta
Nas entradas da favela já tem ponto 50
E se tu toma um pá, será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Mas se for Alemão eu não deixo pra amanhã
Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão são tudo safado
Vem de garrucha velha dá dois tiro e sai voado
E se não for de revolver eu quebro na porrada
E finalizo o rap detonando de granada

Parapapapapapapapapa, valeu
Paparapaparapapara clack bum

Vem um de AR15 e outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola e outro com 2oitão
Um de URU na frente escotando o camburão
Tem mais dois na retaguarda mas tão de Glock na mão
Amigos que eu não esqueço nem deixo pra depois
Lá vem dois irmãozinho de 762
Dando tiro pro alto só pra fazer teste
De ina-ingratek, pisto uzi ou de winchester
A vizinhaça dessa massa já diz que não agüenta
Nas entradas da favela já tem ponto 50
E se tu toma um pá será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Esse rap é maneiro eu digo pra vocês
Quem é aqueles cara de M16
Mas se for Alemão eu não deixo pra amanhã
Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão são tudo safado
Vem de garrucha velha dá dois tiro e sai voado
E se não for de revolver eu quebro na porrada
E finalizo o rap detonando de granada

Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clack bum
Parapapapapapapa

Clipe da Versão que fez sucesso nas Baladas europeias
Referências
1- http://swedishcharts.com/showitem.asp?interpret=Cidinho+e+Doca&titel=Rap+das+armas&cat=s

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Rap da felicidade.

O funk carioca, que realmente foi inserido na sociedade no começo dos anos 1990, surgiu idealista, enfatizando as reivindicações populares pelo combate da violência policial nas comunidades carentes dos morros cariocas. As músicas tratavam do cotidiano dos frequentadores, com o objetivo de mostrar que em todas as posições da sociedade há as pessoas honestas e as desonestas, mas que os moradores das favelas e dos morros são trabalhadoras apenas vivem próximas do tráfico de drogas. Uma das músicas de funk mais tocada foi escrita pela dupla Cidinho & Doca. Nela, inclusive, é nítida a busca pela mistura do samba, do gingado brasileiro ao invés dos ritmos norte-americanos. Ela tem como base um miami bass simples, mas com uma letra aprimorada que fala da humilhação que os funkeiros sofrem nos bailes, além da violência que ameaça os moradores inocentes e trabalhadores que moram nos subúrbios.:


Rap da felicidade
Interprete: Cidinho & Doca
Composição: Cidinho & Doca

Gravação do Programa Furacão 2000

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
[Fé em Deus, DJ]
Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.

E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz,
feliz, onde eu nasci, han.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre
tem seu lugar.


Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria que caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.

REFRÃO
Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz,feliz, onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar.


Diversão hoje em dia, não podemos nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, vive passando sufoco.
Trocaram a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.


REFRÃO
Diversão hoje em dia, nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.


Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, passando sufoco.
Trocada a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, só precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar, é.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

História - A criação do funk carioca

Nos primórdio do funk mais precisamente na década de 80, a região metropolitana do Rio de Janeiro reunia milhares de pessoas para apreciar este gênero musical:
"Em todos os fins de semana, no Grande Rio, são realizados cerca de 700 bailes onde se ouve música funk. Segundo os próprios organizadores, um baile com 500 pessoas é considerado um fracasso. Cada uma dessas festas atrai, também em média, 1000 dançarinos. Pelo menos uma centena de bailes reúne um público superior a 2000 pessoas. Alguns deles costumam ter 6000 a 10000 dançarinos. Fazendo as contas, por baixo, é possível afirmar que 1 milhão de jovens cariocas frequentam esses bailes todos os sábados e domingos."¹
O gênero que começou a contagiar os moradores cariocas, apesar de sempre carregar um estereótipo de movimento suburbano, como cita Vianna:
"O baile funk é, principalmente, uma atividade suburbana. Existem alguns bailes realizados na Zona Sul, geralmente localizados perto das favelas, e frequentados por uma juventude proveniente das camadas de baixa renda, em grande parte negra (exatamente como nos bailes suburbanos), e nunca de classe média. Os bailes da Zona Sul não se compraram, em tamanho e empolgação, com os bailes dos subúrbios"¹
O Canecão, principal casa de show do Rio de Janeiro, localizado no bairro do Botafogo, zona Sul da cidade, foi onde ocorreu a primeira apresentação de funk. Duas das figuras mais marcantes são o discotecário Ademir Lemos, que até então só trabalhava em boates, e o animador e locutor de rádio Big Boy. Este produzia e apresentava um programa diário (menos aos domingos) na rádio Mundial no final das tardes, horário radiofônico considerado mais popular da época. Os bailes apresentados por eles, que ocorriam aos domingos, chegavam a atrair cerca de cinco mil dançarinos. Ademir tocava rock e pop mas, preferencialmente, James Brown, Wilson Pickett e Koll and the Gang. Tempo depois, a direção da casa de shows preferiu realizar concertos somente de nomes da MPB (Música Popular Brasileira), o que acarretou a transferência dos seus equipamentos para os clubes de subúrbio.

Mas, nem só a música era o destaque deste começo do funk no Brasil. Os bailes dos anos 90 eram marcados também pelo forte ambiente violento devido aos conflitos de gangues residentes dos morros da cidade do Rio de Janeiro. Apesar do número ínfimo destes indivíduos, muitos conseguiam desestruturar festas. De 1992 até anos que antecederam o fim do século, os conflitos entre as facções eram constantes, o que fez a prefeitura e o governo estadual do Rio de Janeiro proibir os bailes devido à violência. Algumas passeatas foram feitas reivindicando a posição e se mostrando a favor do funk. Em outubro deste mesmo ano, a briga das gangues ocorreu na praia do bairro de Ipanema. Houve pânico dos banhistas, moradores e turistas. Esse arrastão, de acordo com Herschamann (1997), foi o estopim para que as pessoas fizessem a ligação morro-funk-violência, mesmo não sendo relação direta entre ambiente residencial, música e o caos
"tornaram-se uma espécie de marco no imaginário coletivo da história recente do funk e da vida social do Rio de Janeiro fortemente identificada com conflitos urbanos onipresentes. A partir desse momento, tais fenômenos das periferias e favelas das grandes cidades, quase desconhecidos da classe média, ganharam inusitado destaque no cenário midiático"²
Mesmo com uma repercussão nacional sobre o caso e criado um preconceito real sobre o gênero, mesmo não tendo uma relação direta com o ocorrido, em julho de 1993 o DJ Marlboro (ver a seguir) voltou a inserir o funk na zona Sul, com uma matinê aos sábados, que despontou entre a população da classe alta. Em 1995/96, a aproximação entre as classes sociais já era nítida. Os jovens ricos, cansados de frequentar as mesmas danceterias, resolvem assistir aos bailes funks cariocas dentro das próprias comunidades.

Capa do disco do Dj Malboro - Gravadora Som livre

Mas, não foram apenas os adolescentes ricos que foram conquistados pelo movimento. A primeira grande notoriedade positiva dos funkeiros ocorreu quando, em junho de 1994, a apresentadora Xuxa inaugurou o quadro Xuxa Park Hits, em seu programa Xuxa Park, na TV Globo, com a participação do DJ Marlboro(criador do conceito de funk carioca, utilizando o miami bass, mas com letras em português). O quadro deu certo e virou permanente. Com o intuito de fazer o movimento se desenvolver e de se fortalecer em todo o Brasil, além de mostrar as novas faces e os novatos que criavam funk, ela levava dois a três artistas em todo o programa para divulgar o gênero na televisão. Xuxa, por consequência, virou a embaixatriz do funk carioca. Ao lançar o disco Funk Brasil 4, Marlboro vendeu 120 mil cópias em quatro dias, além de ganhar uma coluna no jornal carioca O Dia chamada “Galera”, para falar somente sobre o assunto.

 O funk carioca acaba inserido na vida dos jovens das diversas classes sociais por suas características que envolvem alegria, sensualidade e envolvimento entre homens e mulheres.

Em 1995, o funk entrou realmente no mundo fonográfico, sendo reconhecido pelas gravadoras. Comercia lmente, eram as coletâneas que faziam sucesso, como a “Demorou mas abalou – funk total”, lançada pela Sony Music e que vendeu 250 mil cópias. Outra grande gravadora que ingressou na produção e na vendagem de CDs de funk carioca foi a Som Livre.Paralelamente, o que atrapalhou o andamento a progressão musical foi a violência e brigas que ocorriam nos bailes. O então prefeito carioca César Maia chegou a autorizar o cancelamento de alguns bailes. Estas brigas foram mais intensificadas entre os anos de 1995 e 1999.

Este ódio e transgressão coletiva ocorriam, na maioria das vezes, pela presença marcante das gangues de traficantes. Não à toa, nesta época, em uma entrevista divulgada com o traficante Elias Maluco, ele admitia que patrocinava os bailes funks para que os moradores das favelas consumissem as drogas dentro do local. Rômulo Costa15 também revelo u que os traficantes usavam as associações de moradores das favelas para contratar os bailes. Em julho de 1997, surgiu uma fita de vídeo (a Rio Funk Proibido) na qual havia a música Cidade Maravilhosa16. Ela era apresentada em ritmo de funk, com dançarinas tirando a roupa no palco de um baile, enquanto jovens entre 15 e 20 anos tentavam tocá- las. Neste mesmo vídeo há imagens de meninos de 10 anos ao lado das supostas dançarinas.

Entre 1999 e 2000, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou projeto de lei que regulamentava o funcionamento dos bailes, o que faria a necessidade da instalação de detectores de metais na entrada, a obrigatoriedade de autorização prévia e presença do começo ao final do evento pela policia, além da proibição da execução de músicas que fizessem apologia ao crime. Neste mesmo ano de 2000, as gravadoras praticamente fecharam as portas para o funk carioca, que estava em franco declínio.

O funk carioca atualmente

Um dos motivos que levou o funk carioca às paradas de sucesso é o fácil modo de sua produção. Em qualquer estúdio com equipamentos mais antigos é possível produzir um disco, já que é necessário um sampler (Samplear é o ato de retirar trechos de uma música e criar uma nova, utilizando um aparelho chamado de sampler), batidas e a utilização de voz.

Durante os anos 1990, a equipe de som que mais ganhou mais destaque e ganhou mercado foi a Furacão 2000, de Rômulo Costa, atuante no mercado musical desde a década de 70. Convertido à Igreja Universal do Reino de Deus por sua namorada Verônica, nos primeiros anos da década de 1990, batalhou e utilizou-se da fama do funk para que ela se tornasse apresentadora de TV. Criou o programa Furacão 2000, transmitido aos sábados à tarde, em rede nacional. Em 2004, fez uma campanha visando o crescimento do funk carioca
para eleger sua então esposa ao cargo de vereadora, com o intuito de defender o movimento. O casal ganhou o apelido de Mãe Loira e Pai Moreno, por incentivarem a cultura funk na evolução de um movimento popular.

Baile Furacão 2000

Porém, a pressão da polícia sobre os traficantes, as reportagens negativas sobre o funk carioca, o envolvimento com o tráfico de drogas e a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro em 1999, suprimiram diversos bailes, principalmente os próximos às áreas urbanas mais nobres, pois o barulho e o som atingiam potência acima do permitido (normalmente 85 decibéis por lei). Muitos registravam casos de violência e briga. Esta nova fase do ritmo é descrita como new funk.

Junto à cantora Tati Quebra Barraco, nesta última década, outros MCs se especializaram em criar letras eróticas e de duplo sentido, enaltecendo os atos sexuais. Apesar das letras e das músicas da cantora apresentarem resistência à dominação masculina e esbravejando o feminismo, a quantidade de palavras de baixo calão elimina bastante desta iniciativa.

Em maio de 2008 foi sancionada uma lei incentivada e dirigida pelo ex-deputado Álvaro Lins (preso pela Polícia Federal sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro) em que estabelecia que os bailes funks dependeriam de autorização prévia da Secretaria de Estado de Segurança para ocorrerem. Entretanto, uma das principais vitórias dos ativistas que buscam autenticidade ao funk carioca como movimento social foi divulgada em matéria publicada no dia 9 de janeiro de 2009, no jornal O Estado de S. Paulo, caderno Metrópole, página C8, com o título “Projetos de lei propõe funk como expressão cultural popular”. Esta traz que dois projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, tratam da preservação do funk como uma manifestação cultural popular.

O funk carioca, como uma manifestação cultural de massa do Brasil, tem relacionamento direto com estilos de vida, comportamentos e experiências da juventude , principalmente da que vive nos subúrbios.

Os bailes e o funk carioca de um modo geral funcionam como um ponto de intersecção entre a auto-afirmação daqueles que trabalham e necessitam deste meio para sobrevivência de um modo moralmente honesto, e daqueles que usam dos visitantes e das pessoas que vivem na comunidade para venda de drogas, abusos com relação à sexualidade etc.

Referências:

Texto: Leonardo Zanon: "Mídia e discurso: Um estudo do discurso da veja sobre o funk carioca"(2009)

1 - Hermano Vianna - "O Mundo Funk Carioca" (1988)
2 - Micael Herschmann - "Abalando os anos 90 – funk e Hip Hop. Globalização, violência e estilo"(1997)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Só mais uma volta para casa?

Sexta-feira passada (dia 1º deste mês) voltava para casa dos meus pais, seguindo a cotidiana e contrastante viajem dos finais de semana, saída do centro de Santo André - onde está localizada minha república -  em direção a outra ponta das rosas dos ventos, o destino periferia de Franco da Rocha cidade que nasci e cresci até os 18 anos de idade no extremo oeste da grande São Paulo.Porém neste dia voltei mais tarde, pois antes de ir embora passei no sesc de santo andré para comprar os disputados ingressos do Show do Nação Zumbi, depois de duas horas e meia que é o tempo aproximado de viagem de trem entre as estações Prefeito Celso Daniel(Este eu conheço quando foi morto e  a notícia da tragédia foi estampada em vários jornais e ficou quase uma semana nos noticiários televisivos) e a Estação localizada no meu bairro denominada "Baltazar Fidélis"(Faço a mínima ideia de quem seja esse tal de Baltazar para se ter noção não existe nenhum artigo sobre o dito cujo no wikipedia e em tempos pós-modernos não ter uma referência nessa enciclopédia virtual é o mesmo que ter a menor relevância histórica) e como meus concidadãos franco-rochenses também não dão tanta importância ao homenageado, apelidamos a estação de "Paradinha"  pois ela fica em uma curta diferença de distância entre a estação de Francisco Morato e a segunda estação de Franco da Rocha essa sem problemas com nomes porque recebeu o da cidade. Sigo o  caminho de casa lá pelas de 23:00 na Rua Egito da Vila Bela(o Bela é só ironia pois as ruas quando asfaltadas são de péssima de qualidade e fora outros problemas de infraestrutura comuns em qualquer periferia) Pela falta de mais um par de fones de ouvido(a maioria que eu compro são piratas, e qualidade não é o forte desses produtos) restou-me cantarolar:

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela
A polícia atrás deles e eles no rabo dela
Acontece hoje e acontecia no sertão
Quando um bando de macaco perseguia Lampião
E o que ele falava outros hoje ainda falam
"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala"
Em cada morro uma história diferente
Que a polícia mata gente inocente



Banditismo por uma questão de classe - Nação Zumbi( http://youtu.be/YmXUQ1-6f9c )

Porém, meu mangue-beat foi paulatinamente perdendo a força porque passei a notar um expressante beatbox  ecoando pela rua, e conforme vou subindo a ladeira o canto se torna cada vez mais marcante e logo me surpreendo com a origem do som um grupo de moleques em torno de uma fogueira em um terreno sem cercas basicamente uma propriedade aberta a visitantes, um desafiando ao outro improvisando uns funks(uma estrutura bem parecida com a do os repentes do nordeste brasileiro base para bandas como o Nação Zumbi que estava cantando no inicio) vale a pena ressaltar em pleno período de Festas de São João, não consegui captar muita coisa, meu celular não grava muito bem no período noturno e cheio de malas e outras bugigangas de viajante complicam qualquer tipo de abordagem e também fiquei muito receoso porque fui completamente pego de surpresa pelo menos no momento não estava "preparado", mas para não ficar sem registro tirei uma foto sem ser percebido não queria atrapalhar a manifestação.



De memória só me recordo de uns dos trovadores dizendo para o outro "Manda a base aê mano" e iniciando um funk de improviso cuja temática quase universal(abordada por poetas, romancistas e etc.) A conquista de mulheres no nosso caso bem específico narrada em um baile funk. Como meu real objetivo era de ir para casa preferi continuar com a minha caminhada e ficar apenas com o imaginário do ocorrido, com as rizadas, com a imagens em mente  e sobretudo com a diversão que este pequenos artistas me passaram com suas batidas bem características. 
No domingo (dia 3) na volta para Santo André passei pela mesma rua e registrei com uma fotografia os vestígios dessa minha apropriação , e agora o  lugar que a dois dias atrás era palco de uma manifestação artística voltou a ser um  reles terreno comum aguardando a construção de um lar.